Casas, Coisas e Louças Velhas

Contos, Fotos e Histórias do Marquês da Ajuda, Cacela e Sta Rita

Sábado, Fevereiro 24, 2007

Quinta da Fidalga

Foto FP.1965

Sexta-feira, Janeiro 19, 2007

Complexo de Ofélia ( Anti-Kamasutra )

L'Anti-Kamasutra

Domingo, Novembro 12, 2006

Complexo de Ofélia (os amigos, as amigas)





Complexo de Ofélia (o seu mundo)




Quarta-feira, Agosto 23, 2006

Complexo de Ofélia (a galinha)

Ofélia possuía personalidade de fêmea. Passeava a sua classe, quintal fora, com distinção de quem desfila em passerelle. O seu sonho, ainda franga, era ser rainha de uma capoeira sem redes, um lugar na natureza, batido pelos ventos, agitando a plumagem luzidia. Galinha de sonho de um galo encantado, longe da panela, do forno e das fogueiras. Ofélia detestava os santos populares. As crianças corriam, saltavam sobre o fogo, queimavam alcachofras, frutos do cardo manso que também ardia. Mas as alcachofras eram tipo Fénix, renasciam do fogo no dia seguinte, bem... algumas, porque outras ficavam em carvão.
Mas o que estava a acontecer não era a realização do sonho era a confirmação do pesadelo. O branco de coração preto preenchia os espaços de meditação e relaxamento de Ofélia e um estranho murmurar, sibilino e verrugoso alterava o seu cacarejar. Faltava-lhe a felicidade de encontrar minhoca na terra esgravatada e galo, para companheiro de manhãs despertas pelo seu cantar. Có coró có có...có coró có có, código da madrugada e da carícia erótica. Espreguiçar asas, estendendo-as ao limite da linha de voo em corrida na exiguidade das paredes do quintal. Quantas vezes questionou Ofélia o tamanho do seu pequeno cérebro e pensamento tão vasto. Quantas e quantas vezes se interrogou: como é possível nesta dimensão ser apenas galinha?

Terça-feira, Agosto 15, 2006

Complexo de Ofélia ( o ovo )

Ofélia era galinha! Ora galinha põe ovo pelo menos uma vez por semana, se não diariamente estando feliz. Era como ofélia se sentia na confrontação com o preto. Tinha o apoio das duas restantes fêmeas. Jogava em casa numa casa nova e enquanto dormiu debaixo do banco a ofélia depositava ternamente o seu ovo na material mais macio que encontrasse. Baixava-se lentamente, cú perto do chão, e com cuidado lá saía o esperado ovo. Depois o esperado cocorocó.Há quem diga que é publicidade que a galinha faz. Pessoalmente não acredito tanto nisso, mas sair um ovo daqueles, grande, cheio de clara e gema, todos os dias também deve doer. Tal como uma fêmea ter filhos todos os dias. Que canseira!
O ovo, para além do preto, eram as únicas preocupações de ofélia, a sua agenda diária. Sabia porém que, enquanto o ovo nascesse do seu cú todos os dias, haveria condescendência quanto à sua rotina diária e aos direitos e privilégios adquiridos por uma galinha revolucionária em Abril. Dizia-se mesmo que na revolução das galinhas tinha sido ela a passar o cocorocó necessário, sinal de libertação das grades das capoeiras e início da liberdade de poder estar debaixo do banco em qualquer cozinha. E não na panela. Ofélia respondia na perfeição à questão do que nasceu primeiro o ovo? a galinha?. A galinha, porque sem galinha não há ovo e este era o salvo conduto para, a palavra passe, passaporte para a eternidade da ofélia.